terça-feira, 13 de julho de 2010

Lula e seus discursos *CopaDoMundo*

Alguém aí gosta de ver os discursos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva? Confesso que tais procunciamentos normalmente não me interessam, mas saiu uma matéria bem engraçada, no Diário de Pernambuco do último sábado (10/07/2010), sobre o discurso que ele deu na África do Sul esses dias pra divulgar as belezuras do país, já que a próxima copa será aqui.

A leitura dela rendeu boas risadas, segue a matéria:

Lula, o showman

por Lucas Fitipaldi {DP, 10/07}
O presidente Lula pareceu ainda mais inspirado. A começar pelo total desprezo à versão impressa do discurso. Com cerca de 25 minutos, o pronunciamento veio recheado de bom humor. O Lula "showman" parece cada vez mais desenvolto. Como sempre, a plateia vai ao delírio. Algumas tiradas do presidente parecem inacreditáveis, culminam em boas risadas e olhar de espanto.

Mais uma vez, Lula foi uma atração à parte na cerimônia de ontem

Na performance de ontem, o assunto futebol esteve presente em vários momentos. Ao se referir à Copa das Confederações, Lula assumiu de corpo e alma a velha máxima de que pode-se perder o amigo, mas não a piada. "Vejam só: em 2011 teremos as Olimpíadas Militares. Em 2013, a Copa das Confederações. Aquela mesmo... que o Brasil ganha pra enganar, e a gente fica pensando que vai ganhar a Copa depois", disparou, provocando burburinho.

Pouco depois, em tom bem humorado, ele cobrou de Ricardo Teixeira o título em 2014. "Nós vamos ganhar, não é Teixeira? Pelo menos isso... senão como é que vai ficar minha autoestima lá for a", disse olhando para o presidente da CBF. Ainda nas aventuras pelo mundo da bola, o presidente cometeu algumas gafes. Chamou o único brasileiro naturalizado da seleção japonesa de Paulo Tanaka - na verdade é Túlio Tanaka -, e citou o brasileiro Cacau como único jogador "diferente" no time da Alemanha, sendo que a seleção tem 11 estrangeiros naturalizados, e o alemão Boateng, por exemplo, também tem pele escura. A intenção foi exaltar a miscigenação do Brasil.

O artifício do humor também é usado para tecer críticas camufladas. Em certo momento, o presidente emendou: "Quando aquele rapaz da Coreia do Norte chorava, devia ser com medo de voltar pro país dele". Depois, só o que mudou foi o tema. O show continuou. Na hora de descrever o perfil do povo brasileiro, por exemplo. "Somos fruto de uma mistura espetacular. Juntaram índio, negro e europeu. Aí deu esta gente bonita como eu. Essa coisa de beleza é relativa, pode ser vista de várias formas. Mas podem ter certeza que pra cada sapo tem uma sapa".

Na hora de exaltar a diversidade culináriado Brasil, mais bom humor. "O cidadão que for ao Pará e comer um pato ao tucupi nunca mais vai querer sair de lá", cravou, logo depois de eleger Bahia, Minas Gerais e Pará como os três estados donos das mais ricas culinárias. O lado nordestino aflorou no momento em que resolveu elogiar o povo. "Quem for visitar o Nordeste vai ver que não existe gente mais alegre. É um povo que não entende inglês, mas todo mundo entende. É uma capacidade de 'mimicar' impressionante".

No fim, como um artista que se despede da plateia, Lula encerrou dizendo que precisava ler pelo menos uma frase do discurso que havia sido preparado. Folheou algumas páginas, pôs os óculos, aproximou-se do papel e repetiu o slogan da campanha: "O Brasil te chama. Celebre a vida aqui". Deixou o palco ovacionado.

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